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O que nasceu
primeiro, a galinha ou o ovo?

Tanto
o nome “VOLKSWAGEN” como o carro de mesmo
nome
carregam uma história que suscita questões
muitas vezes intrigantes
quando se vai mais a fundo na história.
Como surgiu o nome Volkswagen ligado ao carro
e à empresa?
Já na Alemanha de antes da primeira Grande Guerra
Mundial o termo “Volkswagen” era voz corrente
na indústria automotiva e até entre parte
da população que sonhava com a motorização,
um sonho muito remoto naqueles dias. A busca por um carro
popular continuou presente depois desta guerra e prosseguiu
ocupando a criatividade de vários engenheiros na
Alemanha. Dentre eles Hans Ledwinka, Edmund Rumpler, Ferdinand
Porsche, Josef Ganz e outros.
Passada a Primeira Guerra, no “período de
aquecimento” para a Segunda Grande Guerra Mundial”,
no cenário formado pelo Partido Nacional Socialista,
Hitler havia definido Ferdinand Porsche, entre as opções
existentes, para projetar o carro que encheria as já
construídas Autobahns (auto super estradas) com
veículos populares; a GEZUVOR (Gesellschaft zur
Vorbereitung des Volkswagens mbH) Sociedade para a Preparação
do Volkswagen, apesar de ter Volkswagen no nome, preferiu
chamar o carro de KdF – Kraft durch Freude –
Força através de Alegria. Ai temos o Volkswagen
como algo genérico – carro do povo e KdF
como “nome próprio” do veículo,
para sair do lugar comum.
Mas de nada adiantou, a palavra Volkswagen que na verdade
é um conceito que define um tipo de veículo
popular, passou a designar o carro e depois a empresa,
que carrega este nome até os dias de hoje. Ou seja,
é um termo de uso comum que foi oficializado e
registrado como nome de uma empresa e de seu produto.
Guardadas as respectivas proporções e mantendo
o foco na marca, ocorreu uma situação semelhante
com a “oficialização” do nome
Fusca por parte da Volkswagen do Brasil em 1985.
Como surgiu o Volkswagen, carro mandado construir
por Hitler para ser o carro popular oficial alemão?
Antes de mergulhar na história, é necessário
fazer algumas ponderações e comentários.
Como eu já comentei em artigos anteriores, conhecer
o contexto histórico de uma época é
um pré-requisito básico para a compreensão
dos fatos que ocorreram. Uma indústria que se estabelecia
como a automotiva, tinha e na verdade continua tendo hoje
em dia, tendências que conduzem às soluções
adotadas por vários projetistas. Desenvolvimentos
ocorriam em paralelo em várias partes sem que isto,
necessariamente representasse cópia ou plágio;
simplesmente, eram desenvolvimentos decorrentes de mesmos
princípios que estavam em evidência e eram
conhecidos por todos.
Neste cenário é evidente que se abre espaço
para o surgimento de “inventores de coisas feitas”
que se aproveitam de situações para participar
do sucesso de terceiros (em alguns casos a justiça
não consegue filtrar este tipo de manobra e dá
ganho de causa aos “arrivistas de plantão”).
Como preâmbulo e para que se possa colocar as coisas
em seu devido lugar, eu gostaria de comentar quem era
Ferdinand Porsche na época em que foi contratado
para desenvolver o projeto do carro popular para o regime
de Hitler. Ele era conhecido há muito tempo como
pioneiro da indústria automotiva alemã.
Abstraindo-se dos carros elétricos que havia desenvolvido
na Áustria (um deles apresentado na Exposição
Internacional de Paris em 1900), seu primeiro carro, o
“Maja-Wagen” foi desenvolvido já em
1906; depois vieram os legendários carros de corrida
pequenos, “Sacha”. Foi diretor geral da Austro-Daimler,
diretor técnico da Daimler-Benz em Stuttgart e
construtor chefe da austríaca Steyr-Werke.
Em 1930 ele abre seu próprio escritório
de projetos em Stuttgart, na época ele tinha 55
anos. Apesar de ter feito projetos significativos e inventado
a suspensão por barras de torção,
ele tinha que batalhar por projetos, já que tinha
se tornado independente...
O que será colocado adiante de modo algum irá
afetar a importância deste genial projetista autodidata,
simplesmente o que se pretende é colocar fatos
históricos à disposição dos
leitores para que se possa acompanhar a fascinante sucessão
de acontecimentos que ocorreram tanto em cadeia como em
paralelo e que culminaram com o projeto do Volkswagen
de Passageiros, que aqui muitos anos depois passou a ser
carinhosamente chamado de Fusca.
Para transmitir os acontecimentos, vamos estabelecer
uma escala de tempo que vai de 1904 a 1938. Colocaremos
fatos e os atores envolvidos com as ilustrações
que foi possível levantar (quem possuir outras
pode enviar para complementar o quadro).
Acredito que muitos dos leitores já devem ter
se confrontado com informações tipo “este
foi o verdadeiro inventor do Fusca” e ai se segue
um tsunami de informações desencontradas
que soem confundir a muitos. Primeiramente é importante
que cada um encontre a definição correta
para “invenção” e “desenvolvimento”
(de uma idéia, projeto, etc.). Salvo raríssimas
exceções (tipo primeiro triciclo motorizado
por Benz), a maioria dos veículos é resultado
de desenvolvimentos que utilizam idéias básicas
existentes e que podem incorporar algumas invenções
específicas para componentes. A senda do Fusca
não foi diferente; o grande diferencial foi a competência
de Porsche e de sua fantástica equipe no desenvolvimento
de um projeto que foi considerado como modelo de perfeição
por muitos e cujo sucesso na prática, através
da quantidade de carros vendidos, comprova este fato.
Então vamos percorrer os caminhos da história
automotiva perdida no passado, visto que o que mais se
conhece é a época de 1934 em diante:
1903

O engenheiro austríaco Edmund Rumpler patenteou
na Alemanha o sistema de semi-eixos oscilantes que permitiu
que os eixos de tração passassem a ter suspensão
independente. Este desenvolvimento impregnou toda uma
era.
1913
O
primeiro carro que entrou em produção equipado
com o sistema de semi-eixos oscilantes foi o Cornelian
em 1913, fabricado pela Blood Brothers Manufacturing Company
de Kalamazoo, Michigan/USA. Cerca de 100 carros foram
vendidos antes de a fabricação ser suspensa
em 1915 quando a firma se dedicou a sua razão inicial
de ser que era a de produzir juntas universais. O projeto
do carro foi feito por Chevrolet para a Blood Brothers.
O carro teve uma exposição interessante
ao participar das 500 Milhas de Indianápolis, mas
desapareceu sem deixar uma impressão marcante entre
os projetistas da época. O carro da foto é
uma réplica feita por Al Rohrstaff de Kalamazoo.
1921
Uma
somatória de fatores pode ter levado Edmund Rumpler
a voltar o seu foco para o automóvel. Ele era um
bem sucedido fabricante de aviões, mas com a perda
da Primeira Guerra o Tratado de Versailles proibiu à
Alemanha produzir aviões. O episódio amplamente
divulgado na época da fabricação
dos Cornelian nos EUA, usando o princípio de semi-eixos
oscilantes que ele havia patenteado na Alemanha, fez com
que ele fosse mais a fundo na solicitação
de patentes para elementos que havia desenvolvido. Ele
tinha um grande conhecimento de aerodinâmica graças
à sua atividade na indústria aeronáutica.
Neste sentido ele havia desenvolvido uma forma aerodinâmica
baseada numa gota de água que deu origem ao carro
que se chamou de “Tropfenwagen”, literalmente
“carro gota” um carro absolutamente revolucionário,
com motor W6 fornecido pela Siemens (que então
fabricava motores à explosão também)
instalado de maneira central num chassi tubular com sistema
de semi-eixos oscilantes e uma forma “chocante”
para a época e para os dias de hoje também.
Este carro não vingou, mas seus princípios
mecânicos chamaram a atenção da Mercedes-Benz
que comprou a licença deste carro e passou a fazer
um desenvolvimento próprio como veremos adiante.
1922

O próximo ator que entra em cena é Hans
Ledwinka, que foi, digamos, estagiário de Rumpler
tendo absorvido os princípios do sistema de semi-eixos
oscilantes e do chassis tubular. Em 1922 ele lançou
o Tipo 11, um carro revolucionário, leve e super
racional para a época pela companhia que no ano
seguinte passou a se chamar Tatra-Werke. Usando o princípio
do chassis tubular e do semi-eixo oscilante, faltava ainda
o passo de transferir o motor para a traseira do veículo.
O aspecto de eixo tubular não foi uma exclusividade.
O primeiro uso de eixo tubular que se tem registro foi
no Rover 1904, seguidos do Simplicia em 1909 e do San
Giusto em 1924, dentre outros. Os projetos se alternavam
entre o uso de eixos traseiros rígidos e com semi-eixos
oscilantes. A evolução estava em pleno andamento.
1923

Talvez esteja difícil de reconhecer, mas este
é o derivado do Tropfenwagen de Rumpler, agora
na versão Mercedes-Benz sob o projeto de Ferdinand
Porsche e Willy Walb. Ou seja, já em 1923 Porsche
estava desenvolvendo carros de competição
com o sistema de semi-eixos oscilantes, motor traseiro
e chassis tubulares. Isto já era de seu conhecimento
técnico em nível de desenvolvimento para
alto desempenho. Depois a Mercedes-Benz desenvolveu carros
de passageiros com motor traseiro como veremos adiante.
1931
Um
engenheiro austríaco, Béla Barényi,
então projetista na Daimler Benz, elaborou três
pré-projetos para um carro com motor traseiro,
eixo tubular, semi-eixos oscilantes e motor refrigerado
a ar. Como vimos até agora, nada de novo no cenário
automotivo efervescente da época. Nenhum destes
rascunhos chegou a ser construído pela Daimler-Benz.
Porém o tal engenheiro, sob a alegação
de que seu rascunho influenciou o trabalho de Porsche
na criação do Fusca, obteve ganho de causa
em um rumoroso processo movido em 1955 contra a Volkswagen.
Porsche já tinha falecido em 1951. Será
que um engenheiro do porte de Porsche iria necessitar
de um rascunho para desenvolver um carro? É um
ponto a ponderar.
1930 –
1935

Surge no cenário uma figura contraditória:
Josef Ganz. Jornalista automotivo crítico, amealhou
uma série de inimigos. Engenheiro competente partiu
para a evolução de um carro popular iniciando
com o protótipo Ardie-Ganz de 1930 (foto da esquerda)
chegando à evolução do Sandard Superior
de 1935; na foto à direita ele aparece sobre o
carro na Suíça. Trabalhou como consultor
em várias empresas como a BMW e a Mercedes Benz.
Nesta última ele teve a oportunidade de testar
o último Tropfenwagen Mercedes para passageiros
restante, os outros haviam sido sucateados. Ficou impressionado
com as características de dirigibilidade daquele
carro, que na verdade descendia do projeto de Edmund Rumpler.
Colaborou na Mercedes Benz para a decisão da produção
de carros de passageiros com tração traseira
mais convencionais que o Tropfenwagen. Mas sua carreira
e projetos acabariam sendo interrompidos na Alemanha nazista
pelo fato dele ser judeu. Até a sua morte, na Austrália
em 1967, ele tinha esperança de receber o reconhecimento
de ser o “pai do Fusca”. Algo meio surrealista
tendo como ponto de partida um carro com motor de dois
tempos de duas versões, 300 ou 400 centímetros
cúbicos, refrigerado a água. A carroceria
deste carro era de madeira revestida de courvin, solução
que mesmo visando ser barata nem de longe chegava ao nível
do projeto final do Fusca de 1938.
1933 –
1934
No dia 11 de fevereiro, o recém empossado chanceler
Adolf Hitler inaugura a IAMA – Internationale Automobil-und
Motorradasustellung (Exposição Internacional
de Automóveis e Motocicletas) de Berlim. Seu discurso
inicia-se com a seguinte confissão: -“Eu
amo o automóvel sobre tudo, pois ele me permitiu
explorar a Alemanha”. Hitler era um fanático
por automóveis, sonhava com a revolução
do trânsito através do automóvel e
comunica a tomada de medidas para o incentivo do tráfego
de veículos. O partido nacional socialista via
na motorização em massa um símbolo
para a superioridade econômica e cultural.
A partir deste discurso na IAMA a idéia do Volkswagen,
carro do povo, foi reapresentada publicamente. No verão
europeu subseqüente surgiu o anúncio do Volksradio
(rádio do povo - receptor que levaria a voz do
Führer para o lar de todos os alemães); ato
contínuo se esperava o anúncio do propalado
Volkswagen. Por coincidência havia ocorrido um contato
entre Hitler e Porsche no ano 1933, no contexto de um
encontro relativo à Auto Union (detalhes no artigo
“Um
estranho no ninho”.
Pois bem, em 1934 o governo alemão bateu o martelo
e definiu que Porsche seria convidado para desenvolver
o Volkswagen, e assim foi.
1933
Finalmente
em 1933 Hans Ledwinka chegou ao ponto que esperava, com
um carro com motor traseiro, o T.570 que não saiu
do estágio de protótipo devido à
falta de capacidade da Tatra-Werke em produzir este carro
em massa. Apesar da grande semelhança deste carro
com uma série inicial de protótipos do Fusca,
ao contrário do que mais parece ter sido um desvario
de Josef Ganz, Ledwinka não saiu por ai pleiteando
reconhecimento pela paternidade do Fusca... Se bem que
a Tatra lutou, sem sucesso, por suas patentes quando achou
que estas estavam sendo usurpadas.
1935
(uma pequena quebra na seqüência para deixar
espaço
para a evolução de Porsche num fluxo contínuo)
Como
dissemos anteriormente, depois dos Tropfenwagen de passageiros
que não vingaram, dos Tropfenwagen de corridas
que formaram um vitorioso paradigma para outras marcas
de carros de competição, a Mercedes-Benz,
também pela influência do então conselheiro
técnico Josef Ganz (que chegou a levar carros Sandard
Superior para teste em Stuttgart), partiu para a fabricação
de carros com motores na traseira. Iniciou com um carro
com motor boxer de quatro cilindros refrigerado a ar,
o MB-120, que logo foi abandonado pelo ruído interno.
Da pesquisa feita resultou a foto ao lado como sendo uma
possível foto deste carro, cuja parte traseira
também lembra um protótipo do Fusca.

O conceito de carro com eixo tubular, semi-eixos oscilantes,
e motor traseiro continuou a ser usado na Mercedes-Benz
como mostram as fotos deste modelo MB-130 Cabrio-Limousine.
Portanto é bom frisar novamente que os conceitos
de carros com este tipo de concepção básica
eram comuns na época, inclusive havia modelos em
fabricação rotineira.
A
história depois mostrou que o tempo que Porsche
passou na Mercedes-Benz, aliado ao know-how desta empresa
na fabricação de carros com a concepção
descrita acima, somado ao fato de vários dos protótipos
do Fusca terem sido fabricados a mão e a preço
de ouro pela própria Mercedes-Benz foram fatores
importantes no desenvolvimento do protótipo final
do Fusca apresentado em 1938.
1931-1939
Passamos
para o ator principal no desenvolvimento do Volkswagen,
Ferdinand Porsche, não só por ter sido escolhido
pelo Terceiro Reich para esta tarefa, como por sua inconteste
capacidade. O registro que se segue mostra aspectos do
ponto de vista técnico, as tentativas antes da
“reta final” regiamente patrocinada pelo governo
alemão sem entrar em demais aspectos políticos
que não vem ao caso. Ressalto que certamente o
enorme aporte de dinheiro liberado pelo governo de Hitler
viabilizou um projeto que se pode considerar megalomaníaco,
conduzido brilhantemente por Porsche, mas o que foi feito
atendeu aos interesses do Terceiro Reich que visava suas
metas com este carro. Exacerbar em “agradecimentos”
a Hitler, como se observa em algumas comunicações
que circulam pela Internet, é correr o risco de
atingir uma desnecessária conotação
neonazista.
Desde que Porsche abriu o seu escritório próprio
em Stuttgart, em 1930, ele começou a se aproximar
do importante problema do carro popular que, aliás,
já era uma meta sua há muito tempo. É
de se destacar que ele era contrário à tendência
de carros pequenos econômicos com três rodas
que surgiu na época.

Em 1931 ele foi contratado pela produtora
de motocicletas Zündapp para projetar um carro pequeno
com motor traseiro, com chassis de eixo central, suspensão
independente nas quatro rodas. Surgiu o protótipo
Zündapp Tipo-12 que é considerado como sendo
o ancestral do Volkswagen. Tinha um motor radial de cinco
cilindros, a carroceria executada pela firma Reutter era
de madeira revestida com couro e nenhum dos três
protótipos sobreviveu a Segunda Guerra Mundial.
O projeto não foi adiante por falta de recursos.

Mesmo antes de terminar o projeto para a Zündapp
apareceu um novo cliente, outro fabricante de motocicletas
a NSU, companhia que já tinha operado com automóveis,
fabricando carros sob licença da FIAT. As primeiras
negociações ocorreram em 1933 e um dos aspectos
iniciais foi a definição do motor, visto
que a alternativa de motor radial que havia sido usada
no protótipo Zündapp, por imposição
desta, não foi bem sucedida. Para a NSU, Porsche
sugeriu um motor boxer de quatro cilindros, refrigerado
a ar, semelhante ao que havia projetado em 1912 com sucesso
para a Daimler, para aplicação aeronáutica.
O desenho do chassi se assemelha à solução
do Tatra e suscitou processos por quebra de patentes que
não foram bem sucedidos. A carroceria deste protótipo,
totalmente em aço, foi executada pela Drauz e um
dos três protótipos sobreviveu à guerra
e está no AutoMuseum Volkswagen. Este projeto também
não vingou devido à falta de recursos da
NSU para bancá-lo.
No dia 22 de junho de 1934 foi assinado o contrato entre
o escritório de Porsche e a União da Indústria
Automotiva Alemã para o desenvolvimento do Volkswagen
(oficial – com o beneplácito do Terceiro
Reich) e começou a reta final para se chegar ao
carro que, depois de terminada a guerra, veio a conquistar
o mundo.

Com dificuldades e premido pelo tempo, Porsche projetou,
com sua admirável equipe, os primeiros protótipos
e este da foto acima é o chassis daquela época.
O curioso é que o motor era equipado com dois carburadores.

Queimando algumas etapas, acima estão duas gerações
de protótipos lado a lado, à esquerda nas
fotos o VW30, submetido ao maior teste de protótipo
jamais realizado na indústria automotiva até
os dias de hoje, no qual 30 protótipos percorreram
mais de 50.000 km. A direita o primeiro protótipo
V1. Estes carros foram produzidos por um departamento
especial da Mercedes-Benz.

Durante os testes e a evolução dos protótipos
muitas inovações foram sendo agregadas em
relação às idéias iniciais.
Um exemplo claro disto é o chassi que inicialmente
deveria ter um eixo central e placas de madeira (imagem
esquerda) para fazer o fundo do habitáculo (madeira
teria uma vida útil razoável e sua eventual
substituição seria barata). Depois de testes,
estudos e recálculos feitos pela Universidade de
Stuttgart, adotou-se a solução de fundo
integral em chapa de aço para aumentar a rigidez
do conjunto, que passou a ser um dos pontos altos do projeto
deste carro.
Na foto da esquerda um raro protótipo conversível
num grupo composto por três gerações
de protótipos numa viagem por um passo de montanha
na região das Dolomitas. Um VW30, um VW303 (centro)
e um VW38. Na foto da direita, admirando o “seu”
protótipo, Hitler observa um chassi de um Kdf na
exposição de 1939 em Berlim.
Nesta
foto tirada em setembro de 1938, durante um teste de percurso
dos protótipos VW303 definitivos, já com
duas janelinhas traseiras, Porsche de costas admira a
sua criação, que esteve quase por não
sair, novamente por falta de recursos. Foi necessário
que o terceiro Reich liberasse vultuosos recursos não
previstos inicialmente para que o projeto chegasse a termo.
Mas isto de nada ajudou, pois em 1939 a Alemanha invadiu
a Polônia dando início à Segunda Guerra
Mundial e impedindo os planos de fabricação
do Fusca para fins civis na novíssima fábrica
construída para este fim. Mas o resto desta história
já não é mais o foco desta matéria.
O que este estudo pretende é proporcionar meios
de estudo para a época que antecedeu à conclusão
do projeto do Fusca. Independente de todos os acontecimentos,
das dificuldades, das implicações políticas,
do endeusamento que o terceiro Reich fez da pessoa de
Porsche, é inegável que ele foi uma figura
importante da indústria automotiva do século
passado e que seu legado irá, merecidamente, ultrapassar
a barreira dos tempos.
Nota do autor: Quem tiver curiosidade
de ver o Benz-Tropfenwagen em ação pode
ver um curto vídeo no You Tube a respeito:
www.youtube.com/watch?v=-M0HjNbLZkQ (narrado em alemão).
Fonte: http://www.maxicar.com.br/old/gromow/colunista_gromow.asp
http://www.maxicar.com.br
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